vou começar a escrever sem saber bem o que vem na mão na mente na minha. a vida então é tão curta, tão fugidia... e o som da televisão só me faz sentir mais forte essa passagem. passagem do tempo, dos gestos do corpo. me disperso por alguns segundos e a embriaguez me faz revirar. opa, paráfrase? do quê? do que não sei, do que nunca vou saber. tento pegar esse tempo na mão e senti-lo entre a carne do dedo e as unhas pintadas de esmalte da cor da moda. não consigo. minha mão não é grande o suficiente para pegar o tempo. e ele foge sem meu consentimento, sem me perguntar se está tudo bem. não quero parafrasear de novo mas meus dedos batem nas teclas como quem vive sozinho, solto. a carne e a unha pintadas com o esmalte da cor da moda fazem por si só o tecla tecla clá e eu continuo sem entender porque o tempo me escapa. e tento, não é truco, controlar o vai-e-vem. não consigo. minhas mãos não cansam de presssionar as teclas. Que repetição! E pra quem falava em tempo...
impossível (impossível é uma boa palavra pra começar aquilo que não (se) sabe pra onde vai) abrir um parêntesis sem desviar a atenção daquilo que apareceria após a pausa. posopausa. assim dizia nico. impossível converter em tato e toque aquilo que era. foi. não sei se está ao meu alcance. parece que não, mas pode ser que sim. e começo a digitar melhor as palavras do pensamento ou é o pensamento que se faz melhor e mais vivo? os dedos e o pensamento estão indo juntos? estão eles a me dominar (pra não usar o gerúndio)? será que posso pedir que peguem o tempo e me dêem? nas mãos? não cesso nunca e continuo sentindo o plástico preto duro como a alavanca para o pensamento que se digitaliza aqui. num tempo como trem que parte. e deixa uma vida pra trás, que corre, corre, corre, corre, corre, corre, corre, corre, corre, corre, corre, sem nunca mais chegar.
Os dedos não acompanham não os pensamentos, parece que eles são capazes de assumir o controle de um outro pensamento paralelo, não é?
ResponderExcluirPor vezes se misturam, as vezes é um que manda, as vezes é o outro, as vezes eles simplesmente concordam.
Os meus dedinhos pequenos sem manicure há 6 meses fazem a mesma coisa nas teclas brancas. O pensamento em um lugar querendo fazer deles um meio de comunicação, mas eles insistem na vida própria, na autoria do seu movimento. Safados! Como se não fosse a gente pensando pra eles se moverem! Muito atrevidinhos. Daí, inevitável, ao mesmo tempo, sentir tudo ao mesmo tempo e sentir o que está então acontecendo e fazer um comentário sobre a linguagem que estamos usando pra expressar os pensamentos, os sentimentos...
É louco mesmo perceber como pensamos em mil coisas ao mesmo tempo, as vezes dá tempo de escrever, as vezes o pensamento é atropelado pelos dedos que já dão outra idéia, as vezes não sai nada mesmo e as vezes só o fato de percebermos tudo isso nos mostra como somos seres especiais e estamos sim, aproveitando nosso tempo, sendo sensíveis e perceptivos.
E mandando aos outros mensagens que os fazem pensar, com Amor, no seu própio tempo. E ter tempo de mandar de volta um parabéns pra quem escreve assim tão lindo.