quinta-feira, 9 de julho de 2009

ele

vou começar a escrever sem saber bem o que vem na mão na mente na minha. a vida então é tão curta, tão fugidia... e o som da televisão só me faz sentir mais forte essa passagem. passagem do tempo, dos gestos do corpo. me disperso por alguns segundos e a embriaguez me faz revirar. opa, paráfrase? do quê? do que não sei, do que nunca vou saber. tento pegar esse tempo na mão e senti-lo entre a carne do dedo e as unhas pintadas de esmalte da cor da moda. não consigo. minha mão não é grande o suficiente para pegar o tempo. e ele foge sem meu consentimento, sem me perguntar se está tudo bem. não quero parafrasear de novo mas meus dedos batem nas teclas como quem vive sozinho, solto. a carne e a unha pintadas com o esmalte da cor da moda fazem por si só o tecla tecla clá e eu continuo sem entender porque o tempo me escapa. e tento, não é truco, controlar o vai-e-vem. não consigo. minhas mãos não cansam de presssionar as teclas. Que repetição! E pra quem falava em tempo...

impossível (impossível é uma boa palavra pra começar aquilo que não (se) sabe pra onde vai) abrir um parêntesis sem desviar a atenção daquilo que apareceria após a pausa. posopausa. assim dizia nico. impossível converter em tato e toque aquilo que era. foi. não sei se está ao meu alcance. parece que não, mas pode ser que sim. e começo a digitar melhor as palavras do pensamento ou é o pensamento que se faz melhor e mais vivo? os dedos e o pensamento estão indo juntos? estão eles a me dominar (pra não usar o gerúndio)? será que posso pedir que peguem o tempo e me dêem? nas mãos? não cesso nunca e continuo sentindo o plástico preto duro como a alavanca para o pensamento que se digitaliza aqui. num tempo como trem que parte. e deixa uma vida pra trás, que corre, corre, corre, corre, corre, corre, corre, corre, corre, corre, corre, sem nunca mais chegar.

Um comentário:

  1. Os dedos não acompanham não os pensamentos, parece que eles são capazes de assumir o controle de um outro pensamento paralelo, não é?

    Por vezes se misturam, as vezes é um que manda, as vezes é o outro, as vezes eles simplesmente concordam.

    Os meus dedinhos pequenos sem manicure há 6 meses fazem a mesma coisa nas teclas brancas. O pensamento em um lugar querendo fazer deles um meio de comunicação, mas eles insistem na vida própria, na autoria do seu movimento. Safados! Como se não fosse a gente pensando pra eles se moverem! Muito atrevidinhos. Daí, inevitável, ao mesmo tempo, sentir tudo ao mesmo tempo e sentir o que está então acontecendo e fazer um comentário sobre a linguagem que estamos usando pra expressar os pensamentos, os sentimentos...

    É louco mesmo perceber como pensamos em mil coisas ao mesmo tempo, as vezes dá tempo de escrever, as vezes o pensamento é atropelado pelos dedos que já dão outra idéia, as vezes não sai nada mesmo e as vezes só o fato de percebermos tudo isso nos mostra como somos seres especiais e estamos sim, aproveitando nosso tempo, sendo sensíveis e perceptivos.

    E mandando aos outros mensagens que os fazem pensar, com Amor, no seu própio tempo. E ter tempo de mandar de volta um parabéns pra quem escreve assim tão lindo.

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