segunda-feira, 29 de novembro de 2010



água água água
sou água inteira e profunda
mergulho em mim que não acaba nunca
na terra sou fogo e água
ar puro de mim
brota e jorra pro mundo
entra no poro
escorre na pele
água pura de mim
eterno mergulho
e no fim,
jardim florido de amor
minha água rega e faz brotar vida
vida dentro de mim
vida bela e inteira

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

cena de mãe e filho na primavera da cidade grande

na porta quase pra fora da estação de metrô, que é terminal de ônibus também, ela olha o seu ônibus e constata: está quase partindo. vamos perdê-lo. o filho, filho que é, responde rapidamente ao olhar fixo da mãe e corre em direção ao ônibus. atravessa o terminal lotado de gente espremida por causa da chuva (com gelo!) que cai no fim de tarde cinza, a mochila pesa e o uniforme está grande no corpo, mas ele corre em direção ao veículo coletivo e grita: "vem mãe, ele tá saindo!". corre mais. entra. para na porta e coloca a cabeça pra fora e procura a mãe, que, como ele, passa entre as filas dos outros ônibus. dentro do ônibus ele pede ao motorista que espere sua mãe: "ela tá vindo moço.". ela ainda olha mais uma vez, mas a chuva forte impede que veja bem. ouve a voz do filho e entra. o ônibus parte e leva os dois, juntos e respingados de chuva quente de primavera.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

trechos do pensamento que não para

"amor no coração só leva à evolução."

"a poesia esgota como o gozo no começo da tarde."

"a vida cotidiana invade e mata a arte. ou cria?"

"the life is just expectations!"

"cada um com seu caracol"

"não tenho tipos ideais, mas odeio tipos idiotas" (essa é do anderson na mesa do bar decadência e elegância em brasília)

"quina do cerrado, pindaíba, marmelada de cachorro, orelha de negro, açoite de cavalo. são as árvores do cerrado!"

alumia

cidade te ilumina
cidade me ilumina
ilumina a viagem interna
a viagem interna minha
que é na geografia
das ruas e dos mapas
das sensações e medos
me ilumina no caminho
do encontro do eu
que é outro
é inteireza do encontro
é o eu-outro.