sexta-feira, 1 de maio de 2009

(al)one in the bar

genésio, 16/04 - quase dez?

é engraçado (e triste também) ver como água cristalina como os adereços com os quais se cobrem as pessoas têm o poder real de pasteurizá-las até fazerem com que todos pareçam uma só. só uma, de um jeito ou de outro, uma só, a mesma, o mesmo. nem o sexo é mais fator de diferenciação. agora ele junta (ou ele é juntado) e se transforma em um só. faz todos, pinto, peito, barba ou batom, serem um só! e gostam!
ela tem o olhar de mulher que sabe que as mulheres olham para seu marido com um "quê" de quero mais. e o da jaqueta preta acetinada é o rp da mesa. chama o juarez e sugere que todos compartilhem uma cachaça. intercepta seu amigo que volta do banheiro com cara de quem vai embora e diz: "fica que o fulano tá vindo. você vai gostar do cara".
hoje em dia tem umas pessoas com o quadril estreito, as pernas finas e o tronco largo, mas é uma coisa estranha porque logo se vê que o tronco largo é resultado de uma mistura louquíssima de malhação, comida, bebida e drogas. é estranho e cada vez que eu escrevo a palavra estranho e ela pula de uma linha pra outra (do caderno) eu divido de uma forma diferente. 
calmatevi ragazzi, il mondo sta per finire ma existe ancora.
no meio das pessoas pasteurizadas encontrei (mas não saudei) o amigo do faustão, vulgo "fausto silva", um cara que conheci um dia no hair gang quando não mais hair gang.
eu tô fumando um cigarro num local fechado em protesto à aprovação da lei que proíbe fumar em locais fechados. e eu fiquei tonta mas continuo protestando. fiquei tonta mas ignorei os moços que me viam escrever rápido e comentavam. 
já sei: todo mundo, sem distinção por sexo, compra roupa na zara. novo slogan: a loja mais pasteurizada do mundo! você entra você e sai um só!
aí o garçon passou e disse pro outro, mais novo que ele: "vou trazer o celso viáfora pra essa mesa!".
ele da jaqueta preta acetinada tem as mãos grandes... plural dá um "quê" de quero mais na oração. e hoje caiu um terço de dedo no chão do museu. nunca tinha visto isso.
o meu lábio superior está pulsando! que estranho.
é engraçado: não sei se as pessoas acham que eu sou uma escritora qualquer ou uma jornalista de coluna social qualquer, só sei que elas ficam intrigadas com o caderninho e a mão que escreve sem parar, ou fazendo pequenas pausas. 
aí eu acabei ficando numa mesa estrategicamente localizada para observar todas as outras mesas do salão, com exceção a esta logo à minha esquerda, quase atrás de mim.
eu gosto da idéia de sair sozinha e não só porque chamo a atenção com meu caderno e olhares, nem só por ocupar uma mesa disputada num bar disputado, mas também porque é bom estar na companhia de mim mesma e, subitamente, enquanto escrevo esse texto, me passa pela cabeça a possibilidade de comer um doce, mas aí o moço meio quadradinho na forma pára (não tem mais acento com a nova regra da língua) e me chama para uma conversa e diz: "deve ser difícil isso...". acho que ele tá sozinho e digo que é mais fácil do que ele imagina. nada de física quântica, muito menos matemática. são só pensamentos e quando me dou conta estou escrevendo e pensando sbre o que escrevo e penso.