segunda-feira, 30 de março de 2009


a minha amiga me disse que se preocupa em postar textos longos em seu blog. eu, ao invés, disse que fico encanada em postar pouco texto, coisas curtas. aí conversamos e na verdade a angústia se sustenta na premissa de todo blog: ele tem que ser interessante ao leitor, já que é mais do que um caderno que você guarda na gaveta; está na rede para ser lido e fuçado, por isso deve instigar o olhar do outro, por isso só se completa com o olhar do outro e a sua leitura ou passada de olho. falar muito de alguma coisa ou escrever pouco sobre outra pode extrapolar a medida do interesse daquele que está, junto com você (o escritor do blog, no caso) na rede, vagando em busca de algo que o instigue. e você está ali (ou aqui) maquinando internamente (mas, veja, não só internamente, pois somos olho pra fora e tato nas coisas) aquilo que se quer de alguma forma ser concreto, mesmo que nas palavras. é quando você descobre que nas palavras o mundo ganha forma e som. é quando passa aquela agitação que incomodava e aparece o texto, curto ou longo, na tela luminosa à sua frente.

quinta-feira, 26 de março de 2009

luna blu

e eu falava italiano e era noite-dia-noite. no sonho as palavras, cores e outros sons se misturam e fica tudo tão suave e ao mesmo tempo azul. tinha uma lua enorme azul e branca numa cor só possível com aquele azul da lua e eu falando italiano.

o cartão de crédito não era aceito, mas a lua continuava grande e pela metade. e azul.

com o aumento da indignação pelo motivo grave de não possuir mais crédito na instituição bancária o italiano parecia sair com mais precisão e riqueza. palavras seguidas de palavras, pausas, palavras, gestos, mãos, mais palavras. a máquina insistia em anunciar a impossiblidade da compra e se deu por vitoriosa sobre mim. a máquina contra mim. no sonho suave da lua azul e branca.

era azul mas não era inteira. ficava meio que deitada numa linha de horizonte como o do mar, com ondas pequenas e também suaves. os meus olhos viam a nitidez de sua separação do mar, da água. ela que nos meus olhos eu sentia, assim, como quando a gente mergulha e vê o fora e o dentro do mar... era cristalina, a lua azul e branca e brilhava muito na noite-dia-noite do meu sonho.

quinta-feira, 12 de março de 2009

paisagem na tela


e eu fiquei com uma vontade de escrever no blog, assim, muita. e nao me veio o que escrever. fiquei pensando, pensando, pensando... o álcool já ía embora do corpo cansado e meio fraco, mas a bolacha que tava no pacote meio aberto ajudou a melhorar o corpo, cansado. e aquela vontade de escrever nao me largava e aí pra piorar eu lia frases e mais frases, pensamentos elaborados na tela de luz, na rede mundial de computadores e me sentia cada vez pior. as palavras simplesmente nao me pertenciam ou nao queriam me pertencer. porque nessas horas inclusive a palavra te abandona, te deixa ao bel prazer do tempo e do acaso, até voltar, um dia, talvez. e as pessoas íam jogando aquelas letras que formavam palavras na folha, ops, na tela branca do computador e me parecia que faziam mágica com suas idéias, seus vocabulários, seus sonhos, tanto que se transformavam em imagens, figuras, paisagens.

quarta-feira, 11 de março de 2009

um dia tiramos esta foto. foi num parque aí, ibirapuera chamam. eu sei que tô lá no meio do lado da tê. quanta pele. eu sei que tô lá no meio. quanto pêlo. eu sei que tô lá. na pele.